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A Farsa Jonas: Por que a liderança do 'bom moço' no BBB26 cheira a roteiro

Ele ganhou a prova, mas perdeu o público. Uma autópsia de como a edição tenta (desesperadamente) fabricar um herói onde só existe vácuo.

KJ
Kylie JonesJournalist
6 February 2026 at 11:01 am2 min read
A Farsa Jonas: Por que a liderança do 'bom moço' no BBB26 cheira a roteiro

Há algo de podre no reino de Curicica. Quando Jonas vestiu o roupão do Líder ontem à noite, a trilha sonora heroica da edição tentou nos vender uma epopeia de superação. Mas quem assiste pelo pay-per-view (e não tem a memória de um peixinho dourado) sentiu aquele gosto metálico de manipulação na boca. Vocês perceberam o timing? Exatamente quando sua popularidade despencava nas redes vizinhas, o acaso – ou seria o destino algorítmico? – lhe sorri.

Não sejamos ingênuos.

“O público brasileiro perdoa vilões, perdoa plantas, mas tem um faro implacável para a inautenticidade. Jonas não é um jogador; é um produto de laboratório mal acabado.”

A narrativa oficial da emissora é clara: Jonas é o garoto de ouro, o incompreendido, o estrategista solitário. A realidade? É um vácuo de carisma preenchido artificialmente por VTs com trilha sonora triste. A liderança dele não muda o jogo; ela trava o jogo. Porque, ao dar poder a quem o público já rejeitou organicamente, a produção cria um abismo entre o que vemos e o que nos é contado. (Eles acham mesmo que não estamos vendo as conversas cortadas?).

Vamos aos fatos, sem a maquiagem da edição noturna:

Narrativa da EdiçãoRealidade do Feed 24h
"Jonas calcula seus votos friamente."Jonas muda de opinião conforme quem está no quarto.
"O Líder protege seus aliados."Ele entregou o próprio grupo para salvar a imagem.
"Carisma de galã."Monólogos ensaiados olhando para o espelho.

O problema não é Jonas ser um personagem fraco. O problema é a insistência em nos fazer engolir que ele é o protagonista. Essa dissonância cognitiva cansa. Transforma o entretenimento em tarefa escolar. Estamos assistindo a um reality show ou a uma peça de teatro mal dirigida?

Essa liderança serve apenas para uma coisa: expor as costuras do formato. Ao tentar proteger seu ativo (afinal, Jonas deve render bons contratos publicitários aqui fora), a direção sacrifica a veracidade da temporada. O público não quer justiça; quer sangue, suor e lágrimas reais. E o que recebemos? Um sorriso de porcelana e um discurso de liderança que parece ter sido escrito pelo ChatGPT.

Resta saber até quando a audiência vai fingir que acredita. O controle remoto, meus caros, é a única democracia que ainda funciona sem interferência da produção.

KJ
Kylie JonesJournalist

Journalist specialising in People. Passionate about analysing current trends.