Sport

PSG: Onde estão os bilhões quando a bola rola na Europa?

Esqueça o marketing brilhante e as collabs com a Jordan. Por trás da vitrine parisiense, há um abismo financeiro que engole estrelas e cospe frustrações. Os números não batem com a narrativa.

CP
Chris PattersonJournalist
16 January 2026 at 09:01 pm3 min read
PSG: Onde estão os bilhões quando a bola rola na Europa?

Há algo de podre no reino de Paris. Ou, pelo menos, algo terrivelmente caro e ineficiente. Se o futebol fosse jogado em planilhas de Excel ou em desfiles da Fashion Week, o Paris Saint-Germain seria o campeão intergaláctico. Mas, infelizmente para Nasser Al-Khelaïfi e o fundo QSI (Qatar Sports Investments), o jogo ainda acontece na grama, sob pressão, onde o dinheiro compra pernas, mas raramente compra caráter.

A narrativa oficial mudou, perceberam? Saíram os "Galácticos" (adeus, Messi; adeus, Neymar; até logo, Mbappé) e entrou o discurso do "coletivo" sob a batuta de Luis Enrique. É uma manobra retórica inteligente. Quando você não pode mais vender o melhor trio de ataque do mundo, você vende o "conceito de equipe". Mas será que isso é estratégia ou apenas uma redução de danos travestida de revolução tática?

A matemática cruel da Champions

Vamos ser frios. Brutalmente frios. O PSG opera sob uma lógica que desafia a gravidade econômica do esporte tradicional: gastar como um império para obter resultados de uma monarquia decadente. A obsessão pela Champions League tornou-se patológica, transformando cada eliminação não em um aprendizado esportivo, mas em um psicodrama existencial.

Comparem a eficiência do capital parisiense com seus rivais diretos na última década. É constrangedor.

ClubeInvestimento Estimado (10 anos)Títulos da UCLFator "Alma"
Real MadridAlto (mas cirúrgico)5Intangível (A mística do Bernabéu)
Manchester CityMuito Alto1Construída (Sistema Guardiola)
PSGAstronômico0Em busca (404 Not Found)

O que a tabela acima grita (para quem quer ouvir) é que o PSG tentou fazer engenharia reversa no sucesso: comprou o teto antes de construir os alicerces. O Manchester City, com todo o dinheiro dos Emirados, demorou anos, mas construiu uma identidade de jogo clara. O PSG? Mudou de identidade tantas vezes quanto muda de uniforme third kit.

Um clube ou uma marca de lifestyle?

Aqui reside o verdadeiro enigma. O PSG é, hoje, a marca de futebol mais "cool" do planeta. Você vê bonés do PSG em Tóquio, camisas em Los Angeles, moletons em São Paulo. O marketing é nota 10. Mas essa onipresença comercial criou uma desconexão fatal com o "futebol raiz". O Parque dos Príncipes oscila entre ser um caldeirão (graças aos ultras, os únicos que parecem entender a gravidade da situação) e uma ópera para turistas tirarem selfies.

"O dinheiro do Catar comprou os melhores solistas do mundo por uma década, mas esqueceu que ninguém paga ingresso para ver uma orquestra que não sabe tocar a mesma música."

Essa nova fase, a tal "era pós-estrelas", é vista por muitos analistas otimistas como o momento da virada. Eu? Eu vejo como um downsizing necessário porque o Fair Play Financeiro finalmente bateu à porta (ou pelo menos ameaçou bater). Apostar em jovens franceses e em um técnico autoritário como Luis Enrique não é um sinal de virtude súbita; é falta de opção no mercado de superestrelas.

A alma que o PSG busca não está à venda na próxima janela de transferências. Ela é forjada na derrota, na consistência e na humildade — três coisas que faltaram em Paris desde 2011. Até que o clube entenda que a história não se compra via PIX, continuará sendo o turista mais rico da Europa: vestido com as melhores roupas, mas sempre perdido no caminho para a glória.

CP
Chris PattersonJournalist

Journalist specialising in Sport. Passionate about analysing current trends.