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Raphael Veiga: A Promessa ao Avô Encontra a Calculadora do Mercado

Ele já pagou seu valor em taças e lágrimas, mas o futebol moderno tem pressa. Entre a idolatria eterna e as cifras de uma possível despedida para o México, deciframos o dilema do camisa 23.

CP
Chris PattersonJournalist
3 February 2026 at 05:01 pm3 min read
Raphael Veiga: A Promessa ao Avô Encontra a Calculadora do Mercado

Imaginem a cena: um quarto de hospital, luz fria, o som ritmado dos monitores. Um senhor, Rafael, faz um último pedido ao neto, xará de nome e de paixão: "Joga no Palmeiras". O garoto concorda. Anos depois, aquele menino que foi reprovado como goleiro (queria ser São Marcos, vejam só a ironia) não apenas jogou. Ele decidiu.

Estamos em fevereiro de 2026 e a trajetória de Raphael Veiga é um roteiro que Hollywood rejeitaria por achar "clichê demais". Mas foi real. Do empréstimo curativo no Athletico-PR à volta triunfal sob a batuta de Abel Ferreira, Veiga não foi apenas um jogador; ele foi o sistema nervoso do time mais vitorioso da América do Sul recente.

Mas o futebol, meus caros, sofre de amnésia crônica. E é aqui que a poesia do campo colide violentamente com a planilha do escritório.

"O meu avô sempre falava que iria me ver jogando no Verdão. Quando assinei, olhei para o céu e falei: é pra você."

Hoje, aos 30 anos, o ídolo vê seu status mudar. Não pela falta de talento (a canhota continua afiada), mas pela inexorável lei da renovação. Com a chegada de novos nomes de peso ao elenco e a mudança de esquema tático, o "Veiganismo" enfrenta seu maior adversário: o banco de reservas e o mercado internacional.

⚡ O essencial

Raphael Veiga vive um impasse em 2026. Maior artilheiro do clube no século, ele perdeu a titularidade absoluta com a reformulação do elenco. O Club América, do México, surge como destino provável, impulsionado pelo técnico André Jardine. O Palmeiras, frio como deve ser uma empresa, busca monetizar seus últimos anos de alto valor de mercado antes que o contrato expire.

Por que cogitar a venda de quem decidiu uma Libertadores contra o Flamengo? Porque no escritório do Allianz Parque, a emoção fica na porta. A diretoria sabe que esta pode ser a última janela para uma negociação lucrativa na casa dos 10 a 15 milhões de dólares. O México, com o América de André Jardine, acena não só com dinheiro, mas com o protagonismo que Veiga, um competidor nato, recusa-se a perder.

O Peso da Decisão (e dos Números)

Para o torcedor, a conta é simples: gratidão não tem preço. Para o gestor, o ativo deprecia. Veiga se encontra nesse limbo. Ele já entregou tudo o que prometeu ao avô? Sobram evidências de que sim.

CritérioO legado de Veiga
DecisivoGol em final de Libertadores (2021) e Mundial (2022)
ArtilhariaMaior artilheiro do Palmeiras no Século XXI (+100 gols)
RetornoCustou R$ 4,5 mi (2016). Vale aprox. R$ 60 mi (2026)

Se a transferência se concretizar, não será um "adeus" melancólico, mas um "até logo" pragmático. O escritório precifica o atleta, calcula o ROI (Retorno Sobre Investimento) e assina os papéis. Mas o que foi forjado na grama de Montevidéu, Abu Dhabi e São Paulo não cabe em nenhuma planilha de Excel.

O avô Rafael, onde quer que esteja, já deve ter entendido: o neto cumpriu a promessa. O resto? O resto é apenas business.

CP
Chris PattersonJournalist

Journalist specialising in Sport. Passionate about analysing current trends.