Economía

Bilheteria de Ouro, Pés de Barro: A Verdade Sobre o Novo "Megahit"

Enquanto os estúdios estouram o champanhe com os números de estreia, uma análise fria das planilhas revela uma indústria que caminha sonâmbula para o abismo.

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Alejandro RuizPeriodista
7 de febrero de 2026, 17:013 min de lectura
Bilheteria de Ouro, Pés de Barro: A Verdade Sobre o Novo "Megahit"

Outro fim de semana, outra manchete gritando sobre recordes quebrados. O filme do momento — você sabe qual é, aquele que está em todas as caixas de cereal e anúncios de YouTube — acaba de ultrapassar a barreira do bilhão (ou está quase lá). Executivos sorriem, ações sobem e o público tem a sensação de que o cinema está mais vivo do que nunca. Sinto ser o desmancha-prazeres, mas alguém precisa dizer: esses números são uma miragem contábil.

Não se deixe enganar pelo confete. A saúde do cinema não se mede pelo lucro bruto de um único leviatã, mas pela vitalidade do ecossistema. E o que esta nova megaprodução nos mostra não é um renascimento, é uma consolidação perigosa.

"O cinema não morreu, ele apenas se gentrificou. Tornou-se um evento de luxo esporádico, sacrificando a frequência pela tarifa premium."

A realidade crua? Estamos vendendo menos ingressos. Muito menos. O que mantém a ilusão de crescimento é a inflação do ticket médio e a dependência tóxica dos formatos PLF (Premium Large Format). Se você tira o IMAX, o 4DX e as salas VIP da equação, o "sucesso estrondoso" começa a parecer anêmico. O público não está indo mais ao cinema; ele está indo menos vezes, mas gastando o triplo quando vai (geralmente para ver algo que envolve capas ou naves espaciais).

IndicadorEra de Ouro (2000s)Era do "Evento" (Atual)
FrequênciaHábito semanalEvento trimestral
Ticket MédioAcessívelInflacionado (Premium)
RiscoDistribuídoTudo ou Nada

O problema estrutural que este filme camufla é o desaparecimento da classe média cinematográfica. Onde estão as comédias de orçamento médio? Os dramas adultos? Foram dizimados ou empurrados para o streaming. O sucesso deste blockbuster específico valida a estratégia de "Terra Arrasada" dos estúdios: investir 300 milhões em um único produto e rezar para que ele sustente o ano fiscal inteiro.

Isso é sustentável? Duvido muito. Quando você treina o público a sair de casa apenas para "eventos sísmicos", você cria um mercado de alta volatilidade. Se o próximo grande lançamento falhar (e ele vai falhar, estatisticamente falando), não haverá uma base de filmes menores para amortecer a queda.

E tem o elefante na sala (ou melhor, na sala de estar): a janela de exibição. Por que pagar caro num ingresso comum se o filme estará no serviço de streaming em 45 dias? A megaprodução atual só funciona no cinema porque é vendida como "espetáculo visual imperdível". Qualquer coisa que não exija uma tela de 20 metros é sumariamente ignorada. O cinema, meus caros, está virando uma ópera: grandioso, caro e excludente.

AR
Alejandro RuizPeriodista

Periodista especializado en Economía. Apasionado por el análisis de las tendencias actuales.