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Al-Ahli x Al-Ettifaq: O Choque de Realidade no Reino dos Petrodólares

Enquanto o mundo se deslumbra com os nomes nas camisas, o verdadeiro jogo acontece nas arquibancadas vazias e nos relatórios de sustentabilidade. O projeto saudita está sangrando ou apenas respirando?

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste
28 janvier 2026 à 17:013 min de lecture
Al-Ahli x Al-Ettifaq: O Choque de Realidade no Reino dos Petrodólares

Se você olhar apenas para os banners promocionais da Saudi Pro League, Al-Ahli contra Al-Ettifaq é um choque de titãs. De um lado, Mahrez e Firmino; do outro, a lenda Steven Gerrard comandando a tropa. Brilhante, não? Mas desligue o filtro do Instagram por um segundo e olhe para o concreto. O que vemos neste duelo não é apenas futebol: é um diagnóstico clínico das arritmias de um projeto de bilhões de dólares.

Não vamos nos iludir com narrativas pré-fabricadas. A realidade é que este confronto expõe a fratura exposta entre a ambição do PIF (Fundo de Investimento Público) e a realidade orgânica do esporte. O Al-Ahli, um dos quatro "escolhidos" para receber injeção direta de capital estatal, enfrenta o Al-Ettifaq, o clube que deveria provar que há vida inteligente (e competitiva) fora do quarteto mágico. O resultado? Uma disparidade técnica gritante disfarçada de competitividade.

"Eles compraram o teatro e os atores mais caros de Hollywood, mas esqueceram que sem uma plateia pagante e apaixonada, a peça não passa de um ensaio de luxo."

O caso de Steven Gerrard no comando do Al-Ettifaq é, talvez, o sintoma mais agudo dessa febre. Renovaram seu contrato, deram-lhe carta branca, mas o time joga com a vitalidade de um funcionário público esperando o fim do expediente (com todo respeito aos funcionários públicos, que geralmente têm mais garra). Onde está o legado? Onde está a evolução tática? O projeto parece ser: tragam nomes, o resto a gente vê depois.

A Matemática que Não Fecha

Vamos falar de números frios, porque a paixão aqui é importada. O abismo financeiro entre os clubes controlados pelo Estado e os "outros" cria um ecossistema onde a derrota é programada. O Al-Ettifaq tenta quebrar essa hegemonia, mas tropeça nas próprias pernas e na falta de profundidade de elenco.

IndicadorAl-Ahli (Big 4)Al-Ettifaq (Desafiante)
Origem do CapitalPIF (Estatal/Ilimitado)Misto/Patrocínios
Valor de Mercado (Estimado)~€200 Milhões~€60 Milhões
Pressão por ResultadosTítulo ou CriseRelevância Midiática

E o público? Ah, o público. Exceto nos grandes clássicos, as câmeras de transmissão são estrategicamente posicionadas para evitar os vazios nas arquibancadas. Al-Ahli tem uma torcida fiel, é verdade (talvez a mais passional), mas quando o adversário não desperta interesse genuíno, o "produto" televisão sofre. Quem, em sã consciência, fora da Arábia Saudita, parou seu dia para ver esse jogo taticamente? Poucos. O interesse é movido a clipes de melhores momentos no Twitter, não por 90 minutos de construção de jogo.

A fissura está aí: o dinheiro comprou a atenção momentânea, mas falhou em comprar a relevância estrutural. O Al-Ahli x Al-Ettifaq deveria ser um jogo de consolidação da liga. Em vez disso, soa como uma exibição de fim de ano que vale três pontos. Se o projeto saudita quiser sobreviver à próxima década, precisará de mais do que cheques em branco; precisará convencer o mundo de que o que acontece em campo importa mais do que o que acontece no banco.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste

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