Économie

Guerra Fria na Faria Lima: O que XP, BTG, Nubank e Master escondem

Esqueça as taxas de administração. A verdadeira batalha bancária acontece nos bastidores, onde talentos são leiloados e o ego vale, muitas vezes, mais que o EBITDA.

SG
Stéphane GuérinJournaliste
27 janvier 2026 à 23:013 min de lecture
Guerra Fria na Faria Lima: O que XP, BTG, Nubank e Master escondem

Se você acha que a disputa entre os gigantes financeiros se resume a quem oferece o CDB com maior rendimento ou o cartão de crédito mais pesado (literalmente, em metal), você está olhando para o palco errado. A verdadeira carnificina não está no app que você abre pela manhã. Ela acontece nos almoços demorados do Itaim Bibi, onde o prato principal é a cabeça do executivo rival.

Como alguém que acompanha o fluxo de "sangue e bônus" nos corredores envidraçados da Faria Lima, posso afirmar: o clima nunca foi tão tóxico. E lucrativo.

"O cliente acha que é o rei, mas nesta guerra, ele é apenas o território a ser conquistado. O verdadeiro ativo é quem detém a chave do cofre: o assessor."

A Dança das Cadeiras Milionária

Esqueça o futebol. A janela de transferências mais cara do Brasil hoje é a de private bankers e assessores de investimento. A XP, que por anos reinou soberana desbravando o "mar aberto" dos investimentos, agora joga na defesa. O modelo de Agente Autônomo, sua galinha dos ovos de ouro, está sob ataque direto.

Do outro lado, o BTG Pactual opera com a precisão cirúrgica de quem conhece o cheiro do medo. Eles não querem apenas o seu dinheiro; eles querem o ecossistema inteiro. A estratégia? Atrair os escritórios da XP com a promessa de serem um "banco completo" (banking, crédito, corporate), algo que a XP corre atrás para igualar, mas ainda tropeça na execução.

Quem está jogando o quê?

Para entender essa mesa de pôquer, precisamos olhar as cartas marcadas de cada jogador:

PlayerAposta PrincipalO Risco Oculto
XP Inc.Blindar a base e virar "bancão" digital.Perda de identidade e fuga de cérebros para o modelo partnership real.
BTG PactualCapturar a alta renda (Wealth) com serviço 360º.Escalar o varejo sem diluir a marca premium (o dilema da elitização).
NubankMonetizar a base gigantesca com o segmento Ultravioleta.Vender produtos complexos sem assessoria humana (o app não resolve tudo).
Banco MasterAgressividade pura e aquisições em série.Sustentabilidade do crescimento alavancado e risco de imagem.

O Fator Roxo e o Coringa da Mesa

Enquanto XP e BTG trocam socos no ringue da alta renda tradicional, o Nubank observa do camarote, bebendo seu drink roxo. David Vélez sabe que o custo de aquisição de cliente (CAC) dele é ridículo de tão baixo. O problema? Fazer o cliente que tem R$ 5 milhões líquidos confiar sua fortuna a um aplicativo sem gerente.

Eles estão tentando. O segmento Ultravioleta não é apenas um cartão bonito; é uma tentativa desesperada de aumentar a receita por cliente (ARPAC). Mas será que o algoritmo substitui o almoço no Gero? Tenho minhas dúvidas.

E então temos o Banco Master. Sob a batuta de Daniel Vorcaro, o banco age como o "novo rico" da festa (e digo isso com todo o respeito à audácia). Comprando operações, patrocinando tudo e oferecendo taxas que fazem os tesoureiros da concorrência suarem frio. É uma aposta de alto risco? Talvez. Mas no Brasil, quem não aposta alto, vira poupança.

Onde o dinheiro realmente fica?

Você quer saber quem ganha? Não é o acionista minoritário e, sinto lhe dizer, raramente é o cliente final (que acaba pagando o spread dessa guerra publicitária). O vencedor é o intermediário.

Os bônus de contratação (as famosas "luvas") para trazer executivos e times inteiros de um banco para o outro atingiram patamares obscenos. Estamos falando de cifras que compram apartamentos nos Jardins à vista. Essa inflação de talentos pressiona as margens dos bancos, mas enche o bolso da elite da Faria Lima.

No fim do dia, a nova guerra bancária não é sobre tecnologia ou inovação. É sobre quem consegue sangrar menos enquanto espera o adversário piscar.

SG
Stéphane GuérinJournaliste

L'argent ne dort jamais, et moi non plus. Je dissèque les marchés financiers au scalpel. Rentabilité garantie de l'info. L'inflation n'a aucun secret pour moi.