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Hamburgo x Bayern: O retorno do fantasma do "Cume Norte-Sul"

Eles não se enfrentavam no Volkspark pela elite há quase uma década. Hoje, o duelo mais antigo da Bundesliga retorna, não por pontos, mas para medir o tamanho da alma de dois gigantes em mundos opostos.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste
31 janvier 2026 à 17:013 min de lecture
Hamburgo x Bayern: O retorno do fantasma do "Cume Norte-Sul"

Feche os olhos por um segundo. Esqueça a tabela da Bundesliga de 2026. Esqueça os orçamentos bilionários. O que você ouve? Se você tem mais de 40 anos, ouve o som seco de uma bola batendo na trave em 2001, o grito de Patrik Andersson arrancando um título no último segundo. Se você é mais velho, ouve a inteligência tática de Ernst Happel duelando contra a arrogância bávara nos anos 80.

Para uma geração inteira de torcedores alemães, o Nord-Süd-Gipfel (o Cume Norte-Sul) não foi apenas um jogo. Foi um choque de civilizações: a frieza hanseática e portuária contra o glamour e a opulência de Munique. O aristocrata caído contra o novo rico que virou imperador.

Hoje, neste sábado cinzento de janeiro, o fantasma está de volta. O Hamburgo (HSV), recém-promovido após um purgatório de sete anos na segunda divisão, recebe o Bayern de Munique. E, curiosamente, o que está em jogo é tudo, menos o futebol lógico.

⚡ O essencial

  • O Cenário: O HSV luta contra o rebaixamento (14º lugar), vindo de empates sem gols. O Bayern lidera, mas chega ferido após uma derrota surpresa para o Augsburg.
  • O Subplot: Vincent Kompany, técnico do Bayern, retorna a Hamburgo. Foi no HSV que ele se tornou um ídolo defensivo antes de virar lenda no City.
  • A História: O HSV não vence o Bayern desde 2009. A última memória na elite foi um doloroso 6-0 em Munique em 2018.

David contra Golias (se Golias fosse seu ex-namorado)

A narrativa pedagógica aqui exige que expliquemos a dor. Imagine ver seu maior rival conquistar tudo enquanto você esquece como se amarra as chuteiras. O HSV passou quase uma década trocando de treinadores como quem troca de camisa, preso na areia movediça da 2. Bundesliga. O Bayern, nesse tempo, empilhou saladeiras de prata.

Mas o futebol é um dramaturgo cruel. Quem comanda a máquina de guerra bávara hoje? Vincent Kompany. O mesmo Kompany que, em 2008, era o xerife da zaga do Hamburgo, o homem que trazia esperança ao norte. Vê-lo no banco adversário, vestindo o agasalho vermelho, é o lembrete visual de como os caminhos divergiram.

"O futebol alemão precisa de um Hamburgo forte. Mas o Bayern não está aqui para fazer caridade, está aqui para lembrar por que é o rei."

A Matemática do Abismo

Para o jovem torcedor que só conhece o HSV dos videogames, a rivalidade parece uma alucinação coletiva. Os números mostram por que o "Clássico" virou um monólogo nas últimas décadas.

EraHamburgo (HSV)Bayern de Munique
Anos 80 (O Auge)3 Títulos da Liga, 1 Champions7 Títulos da Liga, Domínio doméstico
2010-2018 (A Queda)0 Títulos, Rebaixamento inéditoHeptacampeão, Hegemonia total
Hoje (2026)Luta pela sobrevivência (14º)Líder da Bundesliga

O que realmente está em jogo?

Para o Bayern de Vincent Kompany, ferido pela derrota da semana passada, é uma questão de ordem: restabelecer a hierarquia antes que o Dortmund sinta o cheiro de sangue. Harry Kane e Jamal Musiala não viajam ao norte por nostalgia; eles viajam por eficiência.

Mas para o Hamburgo de Merlin Polzin? Ah, para eles é diferente. Eles não precisam vencer o campeonato hoje. Eles precisam apenas provar que ainda pertencem ao mesmo palco. Um empate, uma dividida ganha, um grito da Nordtribüne que faça o Neuer hesitar... isso vale mais que três pontos.

É a chance de dizer ao mundo: "Nós sangramos, nós caímos, mas nós ainda somos o Hamburgo". E no final das contas, talvez seja por isso que amamos esse jogo. Não pelos vencedores óbvios, mas pela teimosia dos gigantes que se recusam a dormir para sempre.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste

Tactique, stats et mauvaise foi. Le sport se joue sur le terrain, mais se gagne dans les commentaires. Analyse du jeu, du vestiaire et des tribunes.