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NBA: O show de bilhões que esqueceu de jogar basquete

Entre contratos faraônicos e defesas inexistentes, a liga americana se transformou em um ativo financeiro de Wall Street. Mas será que o produto em quadra vale o ingresso?

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste
10 février 2026 à 08:013 min de lecture
NBA: O show de bilhões que esqueceu de jogar basquete

Você viu o placar ontem à noite? Provavelmente sim, e ele se parecia mais com um código de erro de computador do que com um resultado esportivo. 148 a 143. Em uma terça-feira qualquer, sem prorrogação. Se você acha que isso é a evolução pura do talento humano, tenho uma ponte no Brooklyn (ou uma NFT de macaco) para lhe vender. A NBA não está apenas evoluindo; ela está inflando, distorcendo e, possivelmente, diluindo sua própria essência em um oceano de liquidez financeira.

Não me entenda mal, o talento individual é absurdo. Mas a estrutura que o cerca tornou-se uma bolha de entretenimento onde a competição é secundária até que cheguem os playoffs (e olhe lá).

"Hoje, a temporada regular é apenas um longo e lucrativo aquecimento televisionado. O verdadeiro jogo acontece nas planilhas de Excel dos agentes."

A Inflação do Ego e do Placar

Vamos falar sobre o elefante na sala com tênis de grife: a defesa. Ou a falta dela. As regras mudaram para favorecer o ataque? Sim. Mas há uma cumplicidade silenciosa. Defender cansa, desgasta e, o mais importante, não viraliza no TikTok. O modelo de negócios da NBA atual depende de highlights ofensivos para alimentar o algoritmo das redes sociais.

Mas essa orgia ofensiva tem um custo: a desvalorização do momento. Quando tudo é espetacular, nada é. Se todo jogo tem 130 pontos, aquela cesta no estouro do cronômetro perde o peso dramático que tinha quando o placar estava 88 a 87. O produto virou fast-food premium.

IndicadorA Era Jordan (1998)A Era do Streaming (2024)
Média de Pontos95.6 por jogo114.2 por jogo
Salário Máximo$33 Milhões (só Jordan)$60+ Milhões (Vários)
Foco do FãRivalidade / TítuloHighlights / Fantasy

O Acordo de TV: Uma miragem de 76 Bilhões?

Adam Silver, o comissário que mais parece um CEO do Vale do Silício do que um cartola, orquestrou um novo acordo de direitos de transmissão que faria o PIB de pequenos países corar. Amazon, NBC, Disney. Todos pagando o resgate do rei. Mas aqui entra o meu ceticismo: quem vai consumir tudo isso?

A fragmentação é o novo pesadelo do torcedor. Para acompanhar seu time, você precisará de três assinaturas diferentes. O esporte, que deveria ser o grande equalizador social, torna-se um privilégio de quem pode pagar mensalidades acumuladas. E o que acontece quando a bolha do streaming estourar? Os salários dos jogadores (que estão atrelados a essas receitas) vão cair? Duvido que a associação de jogadores aceite voltar a ganhar "apenas" 20 milhões por ano sem uma greve que paralisaria a liga.

Aposta: O novo "Doping" Moral

E aqui chegamos ao ponto cego que ninguém quer discutir abertamente. A integração total e irrestrita com as casas de apostas. A NBA não vende mais apenas basquete; ela vende prop bets. Quantos rebotes o pivô vai pegar no segundo quarto? O astro vai marcar mais de 25.5 pontos?

Isso muda fundamentalmente a relação do espectador com o jogo. O torcedor fiel está sendo substituído pelo apostador degenerado. Se um jogador é poupado de última hora (o infame "Load Management"), não é apenas uma frustração esportiva; é um prejuízo financeiro direto para o "cliente". Isso gera uma toxicidade nas arquibancadas e nas redes sociais que a liga finge não ver, enquanto conta o dinheiro das parcerias com os cassinos.

A NBA é um sucesso financeiro estrondoso, sem dúvida. Mas ao perseguir o dinheiro global e a atenção efêmera da Geração Z, ela pode estar matando a lealdade tribal que sustentou o esporte por 75 anos. O circo continua armado, os ingressos estão mais caros, mas a alma... bem, essa talvez tenha ficado no banco de reservas, descansando para os playoffs.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste

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