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O Hype do Carioca: Quando o Flamengo vende ilusão a preço de ouro

Enquanto a Nação celebra goleadas contra times semi-amadores, os cofres enchem e a competitividade real tira férias. O Estadual virou um infomercial de luxo?

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste
3 février 2026 à 11:013 min de lecture
O Hype do Carioca: Quando o Flamengo vende ilusão a preço de ouro

Você já parou para olhar friamente os números de um jogo do Flamengo em fevereiro? Não o placar (geralmente elástico), mas o abismo que separa os dois lados do campo. Estamos vivendo uma era curiosa no futebol carioca: a transformação de um campeonato centenário em um roadshow de marketing onde o resultado esportivo é, na melhor das hipóteses, um detalhe irrelevante.

O Rubro-Negro não joga mais o Carioca. Ele exerce o Carioca. É uma demonstração de força bruta financeira mascarada de tradição.

“No Rio de Janeiro atual, a taça pode até ser de isopor, mas a fatura do ingresso e do pay-per-view é de titânio.”

A Disparidade que Virou Produto

Vamos ser honestos (alguém precisa ser): vender a ideia de que há rivalidade técnica na primeira fase do Estadual é um insulto à inteligência do torcedor. Mas é um insulto lucrativo. A diretoria e a mídia parceira embalam jogos contra equipes com folhas salariais menores que o salário de um roupeiro da Gávea como se fossem a final da Champions League.

Por que isso acontece? Porque a máquina precisa girar. O engajamento não pode parar só porque o adversário está preocupado em pagar a conta de luz.

CritérioC.R. FlamengoPequeno do Rio (Média)
Investimento AnualR$ 1 Bilhão+R$ 5 a 10 Milhões
Objetivo RealVender Camisas/PPVSobreviver/Calendário
Impacto da DerrotaCrise na Gávea (Clickbait)Rotina

A Torcida como Métrica de Vaidade

O mais fascinante não é a disparidade, mas como a torcida compra a narrativa. O "Hype Infinito" funciona porque o flamenguista é condicionado a exigir hegemonia, mesmo que essa hegemonia seja conquistada sobre escombros. Lotam-se estádios em Manaus, Belém ou no Maracanã para ver um treino de luxo. É a paixão? Sim. Mas é também o medo de ficar de fora da conversa digital.

Se o Flamengo ganha de 4 a 0, é a "Máquina de Tite" (ou do técnico da vez). Se empata, é "Crise". Não existe meio-termo, porque o meio-termo não gera cliques, não vende assinaturas de streaming e não movimenta o algoritmo.

O Preço da Ilusão

O que ninguém te conta enquanto você compartilha o meme da vitória: esse estadual inflado esconde problemas reais. Ele cria uma falsa sensação de segurança. O time parece invencível contra o Madureira, mas as falhas táticas que custarão caro na Libertadores já estão lá, invisíveis sob a neblina da euforia fácil. O Carioca virou um analgésico: alivia a dor da abstinência de futebol, mas não cura nada.

Será que vale a pena transformar a tradição em uma commodity tão previsível? Para o caixa do clube, sem dúvida. Para a saúde do futebol brasileiro a longo prazo? Tenho minhas dúvidas.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste

Tactique, stats et mauvaise foi. Le sport se joue sur le terrain, mais se gagne dans les commentaires. Analyse du jeu, du vestiaire et des tribunes.