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PSG: A miragem de ouro e o abismo financeiro do Catar

Bilhões injetados, uma vitrine brilhante e um armário de troféus europeus vazio. Por trás do marketing, as contas do PSG contam uma história bem menos glamourosa do que a Torre Eiffel sugere.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste
8 février 2026 à 20:013 min de lecture
PSG: A miragem de ouro e o abismo financeiro do Catar

Vamos parar de fingir que entendemos a lógica esportiva por trás do Paris Saint-Germain? Porque, se olharmos com a frieza de um auditor fiscal — e não com a paixão de um torcedor iludido por luzes de neon —, a conta simplesmente não fecha. O projeto da Qatar Sports Investments (QSI) em Paris nunca foi sobre construir um legado futebolístico. Foi, e continua sendo, o exercício de soft power mais caro da história moderna. E o retorno sobre o investimento? Risível.

A narrativa oficial tenta nos vender uma nova era. "Acabou o bling-bling", dizem eles. "Agora somos um coletivo sob o comando de Luis Enrique". Sério? Ou será que a torneira simplesmente precisou ser fechada porque até o poço sem fundo de Doha tem seus limites diplomáticos? A saída de Kylian Mbappé não foi apenas uma perda técnica; foi a admissão de que a estratégia de empilhar figurinhas brilhantes falhou miseravelmente.

A Matemática do Fracasso

Os números, quando despidos do marketing agressivo da Nike e das colaborações com a Jordan, são brutais. O PSG operou, durante anos, numa realidade paralela onde as receitas de patrocínio pareciam brotar do deserto (literalmente). Mas o que esse dinheiro comprou em termos de glória real?

EraEstratégiaInvestimento EstimadoTítulos da Champions
2011-2016Fundação (Zlatan/Thiago Silva)€ 700M+0
2017-2023Galácticos (Neymar/Messi/Mbappé)€ 1.5B+ (incluindo salários astronômicos)0
2024-Presente"O Coletivo" (Pós-estrelas)Contenção de Danos0 (Até agora)

Percebem o padrão? A mudança de estratégia não é uma epifania tática. É uma necessidade contábil. O Fair Play Financeiro da UEFA, por mais dentuço que pareça às vezes, começou a rondar o Parc des Princes como um abutre paciente. As "parcerias estratégicas" com empresas ligadas ao estado do Catar já não colam tão facilmente nos relatórios de auditoria.

O Labirinto sem Saída

O problema real do PSG não é o dinheiro, é a cultura. Dinheiro compra jogadores, técnicos e até influenciadores para falar bem do clube no Twitter. Mas não compra a mística que faz a bola entrar aos 90 minutos num Santiago Bernabéu lotado. O PSG construiu uma marca de moda que joga futebol aos finais de semana.

"O Paris Saint-Germain tornou-se uma boutique de luxo onde o futebol é apenas um acessório na vitrine, tão descartável quanto a coleção da temporada passada."

Agora, o clube tenta vender a ideia de que a juventude e a disciplina tática de Luis Enrique trarão o que Neymar e Messi não trouxeram. Talvez tragam. Mas a pressão não diminuiu. Na verdade, a ironia é cruel: agora que fecharam a carteira (relativamente falando), a exigência por resultados é ainda maior para justificar a década perdida. O labirinto financeiro criado para burlar as regras europeias tornou-se uma prisão. Se não vencerem agora, sem as superestrelas para vender camisas na Ásia, o que resta do projeto? Apenas um estádio bonito em um bairro nobre e um balanço financeiro que faria qualquer contador sério ter pesadelos.

MB
Mehdi Ben ArfaJournaliste

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