A ilusão dos 44%: O que o Datafolha esconde sobre a liderança de Tarcísio em SP
Tarcísio de Freitas surfa em alta nas intenções de voto e vê sua aprovação subir. Mas a verdadeira história por trás desses números revela um xadrez político muito mais frágil do que a aparente hegemonia sugere.

Há um suspiro de alívio ecoando pelos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Tarcísio de Freitas atingiu 45% de ótimo e bom na última pesquisa Datafolha. Ele estraçalha a concorrência no primeiro turno com 44% das intenções de voto. Fim de jogo? Longe disso.
⚡ O essencial
- O Verniz: Tarcísio lidera com folga (44%) contra Fernando Haddad (31%) para o governo de SP em 2026.
- A Tática: Ficar de fora da corrida presidencial blindou o governador do desgaste nacional.
- A Fissura: A margem do PT prova que o antipetismo paulista não é mais um cheque em branco.
Se você olhar apenas para a manchete, o governador paulista parece blindado. (E a máquina de propaganda governista certamente quer que você acredite nisso). Mas destrinche os microdados. O que realmente sustenta essa fortaleza eleitoral a apenas sete meses do pleito?
A resposta curta: a ausência de um adversário que não carregue a âncora do desgaste federal. Fernando Haddad, o eterno plano A, B e C do PT paulista, bate no teto de 31%. Geraldo Alckmin, a aposta nostálgica, derrete para 26% contra Tarcísio. Não é que o eleitor ame incondicionalmente a atual gestão. Ele simplesmente olha para as opções e escolhe o diabo que já conhece.
| Cenário 2026 (Datafolha) | Tarcísio de Freitas | Adversário Direto | Brancos/Nulos |
|---|---|---|---|
| vs. Fernando Haddad | 44% | 31% | 11% |
| vs. Geraldo Alckmin | 46% | 26% | 11% |
| Segundo Turno (Haddad) | 52% | 37% | 10% |
O que ninguém quer admitir: o Fator Flávio Bolsonaro
O que essa pesquisa muda de verdade? Absolutamente tudo para a estratégia de centro-direita. Quando Jair Bolsonaro tirou Tarcísio da corrida presidencial no fim de 2025 para lançar Flávio Bolsonaro ao Planalto, a esquerda comemorou. Eles calçaram o infame "salto alto". Achavam que Flávio seria um alvo fácil. Erro crasso.
Ao ficar "preso" em São Paulo, Tarcísio tornou-se um administrador de zeladoria com grife. Ele não precisa debater taxa de juros com Lula; ele debate asfalto e privatizações estaduais. Quem é impactado por isso? O cidadão paulista, que perdeu a chance de ver uma eleição estadual focada nos problemas reais do Estado. A eleição de 2026 em SP virou, tragicamente, um mero prêmio de consolação ou um puxadinho da guerra nacional.
Os 20% que consideram o governo ruim ou péssimo estão gritando. (Você consegue ouvi-los sob o barulho das comemorações?). A segurança pública patina, projetos cruciais esbarram na burocracia, e a base aliada cobra faturas cada vez mais altas. Tarcísio não é imbatível. Ele apenas teve a sorte de enfrentar um PT que insiste em jogar com cartas marcadas.


