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Al-Ittihad x Al-Ettifaq: Onde o dinheiro não compra o grito da arquibancada

Esqueça o placar final. Em Jeddah, o confronto foi um teste de DNA: a tradição elétrica dos Tigres contra o laboratório de estrelas de Steven Gerrard.

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Rafael TorresPeriodista
16 de enero de 2026, 17:313 min de lectura
Al-Ittihad x Al-Ettifaq: Onde o dinheiro não compra o grito da arquibancada

Imagine o calor úmido de Jeddah colando a camisa nas costas. Não é apenas temperatura; é pressão atmosférica e humana. Quando você entra no estádio do Al-Ittihad, você não entra em um evento corporativo do Fundo de Investimento Público (PIF); você entra na casa do "Al-Amid" (O Decano). Há uma diferença tectônica aqui que as câmeras de transmissão internacional, focadas no brilho dos gramados perfeitos, raramente captam.

O duelo contra o Al-Ettifaq foi vendido como mais um capítulo da superliga galáctica. Benzema de um lado, o comando técnico de Steven Gerrard do outro. Mas reduzir isso a nomes europeus é não entender nada sobre o que está acontecendo no deserto.

A Alma versus O Projeto

O Al-Ittihad já era gigante antes dos petrodólares inflacionarem o mercado. Eles tinham o barulho, a fúria e uma cultura de arquibancada que faria inveja a muitos clubes sul-americanos. O dinheiro chegou para eles como um anabolizante em um corpo que já era atlético.

Do outro lado, o Al-Ettifaq representa o dilema moderno. Sediado em Dammam, longe dos holofotes de Riade e Jeddah, o clube tenta, sob a batuta de Gerrard, forjar uma relevância global baseada em importações de luxo. Mas identidade se compra? (Spoiler: raramente).

CritérioAl-Ittihad (O Decano)Al-Ettifaq (O Desafiante)
Base de FãsOrgânica, histórica, barulhenta. O "Povo".Regional, tentando atrair o olhar global.
EstratégiaPotencializar uma lenda existente com estrelas.Construir credibilidade através de figuras da Premier League.
O DilemaGerir egos (Benzema vs Técnicos).Evitar ser apenas um "clube de aposentadoria".

O que vimos em campo expõe essa fratura. Enquanto o Ittihad joga empurrado por uma massa que canta mesmo quando o time falha, o Ettifaq parece muitas vezes um conjunto de peças caras tentando descobrir se encaixam na mesma engrenagem. O time de Gerrard oscila entre a disciplina tática inglesa e a realidade técnica local, criando um híbrido que, por vezes, engasga.

"No futebol saudita atual, o dinheiro compra a atenção do mundo, mas não compra a mística. O Al-Ittihad tem a mística. O Al-Ettifaq ainda está procurando o recibo."

Essa partida serviu como um raio-x cruel. Não se trata apenas de quem corre mais ou quem chuta melhor. Trata-se de quem joga por quem. Os jogadores locais do Ittihad sabem que, se perderem, não conseguirão andar nas ruas de Jeddah no dia seguinte. Os astros importados do Ettifaq? Talvez peguem um voo para Dubai na folga.

E o futuro? O risco para clubes como o Ettifaq é tornarem-se vitrines estéreis, bonitas no Instagram, mas vazias de significado real para a comunidade local. Já o Ittihad luta para não deixar que sua alma seja devorada pelo próprio estrelato que comprou. O placar? É detalhe. A verdadeira disputa é sobre quem sobreviverá quando a avalanche de dinheiro inevitavelmente diminuir a velocidade.

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Rafael TorresPeriodista

Periodista especializado en Deporte. Apasionado por el análisis de las tendencias actuales.