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O Ultimato Asiático: A Champions da AFC é um blefe ou o novo centro de gravidade?

Esqueça a narrativa dos 'aposentados de luxo'. A reestruturação da elite asiática não é sobre Cristiano Ronaldo; é sobre infraestrutura, soft power e um cheque em branco que a Europa não consegue cobrir.

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Rafael TorresPeriodista
9 de febrero de 2026, 14:013 min de lectura
O Ultimato Asiático: A Champions da AFC é um blefe ou o novo centro de gravidade?

Vamos ser brutalmente honestos por um minuto? A maioria dos analistas ocidentais olha para o futebol asiático com a mesma condescendência com que um sommelier francês olha para um vinho de caixa. O argumento é sempre o mesmo: "É um cemitério de elefantes", "Eles só têm dinheiro". Essa arrogância, típica do Velho Continente, é exatamente o que está permitindo a redefinição silenciosa do mapa de poder da bola.

A Liga dos Campeões da AFC (agora rebatizada e turbinada como AFC Champions League Elite) não é um capricho de xeiques entediados. É um projeto de estado. Ou melhor, de vários estados.

CritérioVelha Ordem (2010-2018)Nova Realidade (2019-Hoje)
Eixo de PoderLeste Asiático (Japão/Coreia)Oeste Asiático (Arábia/Catar)
EstratégiaFormação de atletasAquisição de estrelas + Infraestrutura
Premiação (Campeão)Aprox. US$ 4 milhõesUS$ 12 milhões (e subindo)

Você percebe o padrão? Enquanto a UEFA briga internamente com a ameaça da Superliga e tenta espremer mais jogos em um calendário que já quebrou (física e mentalmente) os atletas, a Ásia simplificou. A criação da AFC Elite reduziu o número de participantes para concentrar a qualidade. Menos jogos inúteis, mais confrontos de alto nível. Soa familiar? É o que a Europa tentou fazer e falhou.

"Não estamos apenas importando jogadores. Estamos importando a atenção do mundo. Onde a atenção vai, a economia segue." – Fonte ligada à gestão da liga saudita (em off).

Mas aqui entra o ceticismo necessário: esses números de audiência são reais? O impacto cultural é sustentável?

Se você olhar friamente para as arquibancadas de alguns jogos da fase de grupos, verá cadeiras vazias que as transmissões de TV habilmente evitam. O entusiasmo orgânico (aquele que vemos na Libertadores ou na Bundesliga) não se compra com petrodólares. Ainda. A aposta da AFC é de longo prazo: criar uma geração que cresça vendo Neymar ou Mitrovic em Riad, e não em Paris. É uma aposta geracional.

E o que ninguém está dizendo? O papel da FIFA nisso tudo. Gianni Infantino não esconde sua proximidade com os líderes do Golfo. O novo Mundial de Clubes de 2025 é o palco final dessa estratégia. Se um clube asiático eliminar um gigante europeu (e com os elencos atuais, isso deixou de ser zebra para ser uma possibilidade estatística real), o castelo de cartas da superioridade europeia começa a tremer.

A Europa continua vendendo o passado e a tradição. A Ásia está comprando o futuro. Quem está certo? Olhe para onde o dinheiro flui e você terá sua resposta (spoiler: ele não está fluindo para a Itália).

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Rafael TorresPeriodista

Periodista especializado en Deporte. Apasionado por el análisis de las tendencias actuales.