Politique

O dono do tabuleiro: o verdadeiro poder de Flávio Bolsonaro

Esqueça as brigas de família nas redes. Nos bastidores de Brasília, o 'filho 01' assumiu o controle do tabuleiro, transformando a máquina partidária em uma sofisticada operação de resgate.

AM
Anne-Laure MercierJournaliste
12 mars 2026 à 05:062 min de lecture
O dono do tabuleiro: o verdadeiro poder de Flávio Bolsonaro

Brasília, março de 2026. Enquanto os corredores do Congresso ecoam as últimas fofocas sobre as brigas públicas entre Carlos e Eduardo Bolsonaro, a verdadeira mágica acontece longe dos microfones. Se você acha que a direita se resume a gritaria em redes sociais, não está prestando atenção na sala VIP. É lá que Flávio Bolsonaro, com uma caneta e um mapa eleitoral, desenha o futuro do país.

O "filho 01" não é o ideólogo da família. (E é exatamente isso que o torna tão letal no jogo do poder). Enquanto o patriarca cumpre pena na Papudinha, Flávio assumiu a cadeira de operador master. Ele engoliu a estrutura do Partido Liberal por dentro, articulando estratégias para atrair legendas de centro e afastar qualquer selo de radicalismo.

👀 Qual é o verdadeiro plano de governo para 2026?
Valdemar Costa Neto cometeu o chamado sincericídio. O presidente do PL admitiu nos bastidores que o plano de governo de Flávio foca essencialmente em soltar Jair Bolsonaro, evitando que ele fique mais "oito ou dez anos fechado". A urna, nesta eleição, foi literalmente rebaixada a chave de cela.

Você já se perguntou como alguém com o sobrenome mais polarizador do Brasil consegue empatar tecnicamente com Lula nas recentes pesquisas da AtlasIntel? A resposta não está no extremismo, mas na anestesia tática. Flávio age como um algodão entre os cristais de Brasília. Ele apazigua Tarcísio de Freitas nos momentos de crise aguda e fatia os palanques estaduais sob medida, amarrando apoios pragmáticos com siglas como o Republicanos e o PP.

Mas o que essa metamorfose muda na prática? Quem é impactado quando a política vira uma estratégia jurídica de sobrevivência? O eleitor conservador tradicional está, sem saber, sendo convocado para um grande plebiscito carcerário. O radicalismo folclórico foi convenientemente terceirizado para os irmãos, que continuam colecionando brigas públicas, deixando Flávio livre para vestir o cobiçado terno de candidato moderado. É uma divisão de tarefas quase corporativa.

"Flávio empoderou os irmãos para fazerem barulho na frente da loja, enquanto ele negocia a venda do prédio nos fundos com o Centrão."

O xadrez do próximo pleito já está armado. E o senador carioca, longe de ser apenas um herdeiro político blindado pelo sobrenome, tornou-se o incontestável dono do tabuleiro. Resta saber se o sistema vai cobrar o pedágio antes ou depois do abrir das urnas.

AM
Anne-Laure MercierJournaliste

Je hante les couloirs du pouvoir. Je traduis le "politiquement correct" en français courant. Ça pique, mais c'est vrai. Les lois, je les lis avant le vote.