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Fluminense: A armadilha do sucesso e o custo oculto da glória eterna

Ganhar a América foi o ápice, mas a conta chegou rápido demais. Por que o modelo que levou o Tricolor ao topo se tornou sua maior âncora?

TR
Taufik Rahman
5 Februari 2026 pukul 23.013 menit baca
Fluminense: A armadilha do sucesso e o custo oculto da glória eterna

Há uma mentira confortável que contam aos torcedores logo após um título continental: a de que o troféu é um passaporte automático para uma hegemonia duradoura. Não é. Para o Fluminense, a ressaca da Libertadores de 2023 não foi apenas uma questão de "pernas pesadas" ou calendário insano. Foi estrutural. Olhando friamente para o abismo que separou a volta olímpica no Maracanã da luta contra o Z4 no ano seguinte, percebemos que a gestão tricolor apostou todas as fichas em um modelo de "tudo ou nada" que, por definição, tem prazo de validade curto.

"O sucesso é um péssimo professor. Ele seduz pessoas inteligentes a pensarem que não podem perder." – Bill Gates (uma máxima que vale tanto para a Microsoft quanto para as Laranjeiras).

O ceticismo aqui é necessário. A narrativa oficial culpou a saída de peças-chave ou a saturação do "Dinizismo". Mas vamos aos fatos que ninguém gosta de gritar em coletivas de imprensa: o Fluminense montou um asilo de luxo? A estratégia de repatriar ídolos e manter veteranos (Felipe Melo, Marcelo, Fábio, Thiago Silva) cria uma casca vencedora, sim, mas cobra um preço impiedoso em intensidade. O futebol moderno é cruelmente físico. Um time com média de idade beirando os 32 anos em seu onze inicial pode dominar a posse, mas consegue pressionar pós-perda contra adversários que correm o dobro?

A Ilusão da Continuidade

Manter o elenco campeão soa como lealdade (e gratidão), mas no esporte de alto rendimento, muitas vezes é suicídio administrativo. O mercado da bola exige renovação constante. Ao segurar jogadores valorizados por apego emocional ou falta de reposição à altura, o clube viu seus ativos depreciarem enquanto a exigência competitiva aumentava. Jhon Arias tornou-se uma ilha de criatividade cercada por um oceano de lentidão tática.

IndicadorAno da Glória (2023)A Realidade Pós-Taça
Intensidade (Sprints/jogo)Alta (Foco total)Queda de ~15%
Dependência de veteranosSuporte táticoNecessidade vital
Saldo de Gols (Brasileirão)EquilibradoDeficitário na maior parte

Outro ponto cego: o cofre. A premiação da Libertadores é astronômica para os padrões sul-americanos, mas desaparece num piscar de olhos quando usada para pagar dívidas passadas e manter uma folha salarial inflada sem novas receitas recorrentes. O Fluminense viveu, por meses, do crédito moral da conquista. Mas crédito moral não paga boletos, e a torcida, passional por natureza, tem memória curta quando a zona de rebaixamento aparece no retrovisor.

O desafio invisível agora não é técnico, é de identidade. Como transicionar de um time "autoral" e envelhecido para uma equipe competitiva sem implodir o vestiário? A resposta exige uma frieza que cartolas apaixonados raramente possuem. O topo é um lugar solitário, e a gravidade puxa para baixo com força dobrada quem se recusa a evoluir.

TR
Taufik Rahman

Jurnalis yang berspesialisasi dalam Olahraga. Bersemangat menganalisis tren terkini.