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Lakers: O Grande Ilusionismo de uma Dinastia de Papelão

Enquanto a mídia aplaude recordes de longevidade e narrativas familiares, os números frios revelam uma franquia paralisada pelo próprio marketing. O 'Showtime' virou apenas show.

TS
Thiago Silva
8 de fevereiro de 2026 às 05:013 min de leitura
Lakers: O Grande Ilusionismo de uma Dinastia de Papelão

Vamos ser brutalmente honestos por um minuto? Esqueça a pirotecnia da Crypto.com Arena e os cortes cinematográficos das transmissões nacionais. Se você remover o nome "Lakers" e o logotipo roxo e dourado das camisas, o que sobra em quadra é um time de Play-in glorificado que vive de lampejos nostálgicos. A narrativa oficial tenta nos vender que Los Angeles é um competidor ao título (uma piada de mau gosto para quem entende de rotação defensiva).

A realidade, nua e crua, é que a organização se tornou especialista não em ganhar campeonatos, mas em criar cortinas de fumaça. E a mais densa delas atende pelo nome de LeBron James.

“Os Lakers de hoje não são uma franquia de basquete; são uma produtora de conteúdo focada em vender a marca 'King James' enquanto o teto do ginásio desmorona.”

Não me interpretem mal (sei que os fãs vão chiar), LeBron continua sendo uma anomalia física e técnica. Mas sua presença massiva permite que a gerência — leia-se Rob Pelinka e Jeanie Buss — esconda uma incompetência estrutural atrás de recordes de pontuação e do ineditismo de jogar com o filho. É a tática perfeita de distração: olhem para Bronny, olhem para o Rei aos 40 anos, mas por favor, não olhem para a nossa incapacidade de contratar um pivô reserva decente há três temporadas.

A Matemática da Mediocridade

Os otimistas dirão que o time é "perigoso nos playoffs". Baseado em quê? Na mística? Os números avançados pintam um quadro muito diferente daquele que a TV tenta empurrar goela abaixo. A regressão desde o título da Bolha é um estudo de caso sobre como desmantelar uma identidade vencedora.

CritérioLakers 2020 (Campeões)Lakers Atual (A Realidade)
IdentidadeDefesa sufocante, tamanho físicoAtaque dependente, defesa frágil
Rating DefensivoTop 3 da LigaMeio de tabela (no melhor dia)
ProfundidadeVeteranos de elite (Rondo, Howard)Apostas mínimas e inconsistência

O que essa tabela grita é a perda de identidade. Trocaram a solidez defensiva por nomes que vendem camisas ou, pior, por jogadores unidimensionais que são expostos na primeira troca de marcação contra um Denver Nuggets ou Boston Celtics. Anthony Davis joga em nível de MVP, carrega o piano, a mobília e a casa inteira nas costas, mas a estrutura ao redor dele é feita de papel machê.

O Custo do Show Business

Quem paga a conta dessa negligência? O torcedor que acredita que a "janela de título" ainda está aberta. Não está. Ela foi fechada e trancada quando a franquia decidiu que a narrativa de Hollywood era mais importante que a construção de elenco (roster construction). A obsessão por estrelas em detrimento de operários funcionais transformou o time em um circo itinerante.

E aqui vai a pergunta que ninguém no front office quer responder: O que acontece no dia seguinte à aposentadoria de LeBron? Sem a cortina de fumaça, sem a atração principal do circo, o que restará? Uma franquia sem escolhas de draft, com um teto salarial estrangulado e uma cultura que desaprendeu a vencer sem depender de um salvador divino. A crise não está chegando; ela já está sentada na primeira fila, usando óculos escuros.

TS
Thiago Silva

Jornalista especializado em Esporte. Apaixonado por analisar as tendências atuais.