Paulo Betti: A Arte de Permanecer Relevante Quando Todos Querem Ser Virais
Enquanto influencers lutam por 15 segundos de fama, o veterano nos ensina uma lição brutal sobre a diferença entre ser visto e ser lembrado. O segredo? Sujar os pés no palco.

Imaginem a cena: anos 70, interior de São Paulo. Um jovem Paulo Betti não está preocupado com o ângulo da sua selfie ou com a iluminação do ring light. Ele está preocupado com o pó de arroz na cara, o cheiro de madeira velha do palco e se a voz vai alcançar a última fila do teatro amador. Parece jurássico? Talvez. Mas é exatamente essa "poeira" que explica por que, décadas depois, ele janta novatos com farinha no café da manhã.
Vivemos numa era de celebridades descartáveis. A fama hoje tem a validade de um iogurte aberto fora da geladeira. Mas Betti representa uma casta diferente (quase uma sociedade secreta dos que realmente estudaram o ofício). Ele transita do galã de Tieta ao vilão cômico de Império sem perder a credibilidade. Por que isso importa agora? Porque a viralidade moderna é frágil. A carreira de Paulo é concreto armado.
“A internet cria ídolos de barro. O teatro cria monstros sagrados. E quando a luz do celular apaga, só quem tem estofo permanece em pé.”
O caso de Téo Pereira, seu personagem icônico em Império, é o exemplo perfeito dessa alquimia. O personagem era, ironicamente, um blogueiro de fofocas venenoso (o avô espiritual dos perfis de fofoca do Instagram). Betti pegou o arquétipo do que há de mais fútil na cultura pop e injetou uma dose cavalar de técnica teatral. O resultado? O "cururu" virou meme, virou bordão, mas, acima de tudo, virou uma aula de atuação. Ele não precisou de uma trend do TikTok para estourar; ele usou a ferramenta mais antiga da humanidade: o carisma construído.
Não se enganem achando que ele parou no tempo. A resiliência do ator clássico reside na capacidade de olhar para o novo sem medo, mas com a arrogância saudável de quem sabe o que está fazendo. Ele mantém a Casa da Gávea, um centro cultural no Rio, não como um museu, mas como um bunker de resistência. Enquanto a garotada aprende a fazer transições de vídeo, Betti continua ensinando como transitar entre a tragédia e a comédia num piscar de olhos.
👀 O segredo da longevidade (que ninguém conta)
O que podemos tirar disso? Que a técnica vence o algoritmo no longo prazo. Paulo Betti nos lembra que a viralidade é um acidente, mas a carreira é uma construção. Para a geração Z, ele pode ser o "tio do meme", mas para a história da teledramaturgia, ele é um pilar. E pilares, meus caros, não caem com qualquer ventania digital.


