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Tornozeleira de grife? O bizarro 'hype' de Gorete Pereira

Esqueça as dancinhas e os publiposts. O mais novo fenômeno de engajamento no Brasil veste terno e acaba de ganhar uma tornozeleira eletrônica do STF.

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Fernanda Lima
17 de março de 2026 às 14:023 min de leitura
Tornozeleira de grife? O bizarro 'hype' de Gorete Pereira

Eu estava no telefone com um dos maiores empresários de celebridades de São Paulo quando a bomba estourou na manhã desta terça-feira. Esqueça as blogueiras no tapete vermelho ou a mais nova treta fabricada no TikTok. O verdadeiro hype do dia usava um acessório muito mais exclusivo, cortesia do Supremo Tribunal Federal: uma tornozeleira eletrônica.

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), aos 73 anos, não planejou ser o assunto mais quente da internet. Mas a Operação Indébito da Polícia Federal, que investiga fraudes bilionárias no INSS, a catapultou para o topo dos Trending Topics com a força de um algoritmo desgovernado. O que nos leva a uma reflexão quase indigesta. Para onde caminha a fama no Brasil?

👀 O que os bastidores sussurram sobre a Operação Indébito?
Entre nós? A queda foi desenhada em detalhes burocráticos. A investigação aponta a deputada como peça-chave de um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias, operando via associações de fachada. O ministro André Mendonça não hesitou ao impor o monitoramento eletrônico. E assim, a tragédia de milhares de pensionistas virou o espetáculo do dia.

Há pouco mais de uma década, o Brasil parava para ver a icônica "Gorete do Pânico" passar por uma transformação estética na TV em seu projeto "Gorete quer ser Gisele". Era o ápice do entretenimento grotesco analógico. Hoje, a dinâmica é outra. A política e o true crime foram engolidos pela máquina de retenção de atenção (e nós somos cúmplices confessos disso).

"O escândalo não cancela mais uma figura pública no Brasil. Ele a converte em engajamento puro."

Veja bem, a internet não julga a moralidade de um mandado de busca e apreensão. Ela julga o potencial de meme. Minutos após a notícia do STF, já havia contas calculando como combinar a tornozeleira com looks de alfaiataria nos corredores de Brasília. É a banalização da infâmia, embalada a vácuo para o consumo rápido.

O que isso muda na engrenagem? (E quem paga a conta)

Sabe o que quase ninguém ousa dizer nas rodinhas de Relações Públicas? A "influência digital" sofreu uma mutação bizarra. Qualquer evento que quebre a normalidade vira token de atenção. Mas quem é impactado de verdade quando transformamos uma investigação criminal em reality show?

Enquanto a bolha do X (ex-Twitter) debate ironicamente o "cancelamento" da parlamentar, a realidade nua e crua atinge o cidadão vulnerável. Estamos falando de idosos e pensionistas que perderam parcelas vitais de seu sustento em um esquema institucionalizado. A estetização da corrupção esconde o estrago real. Quando a fama abraça o ilícito com um sorriso cínico, a sociedade perde a capacidade primária de se indignar. E o político investigado? Bem, ele ganha milhares de visualizações.

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Fernanda Lima

Jornalista especializado em Famosos. Apaixonado por analisar as tendências atuais.