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Oscars 2026: O pânico silencioso (e a rendição) de Hollywood

Esqueça os comunicados de imprensa sobre diversidade. Nos bastidores, as indicações deste ano expõem uma Academia desesperada tentando comprar relevância antes que seja tarde demais.

DS
Dewi Sartika
22 Januari 2026 pukul 14.012 menit baca
Oscars 2026: O pânico silencioso (e a rendição) de Hollywood

Se vocês acham que o clima nos escritórios dos grandes estúdios em Burbank é de festa com as indicações anunciadas hoje, tenho péssimas notícias. O que ouvi nas últimas 48 horas, entre cafés expressos duplos e mensagens criptografadas no Signal, não foi celebração. Foi medo.

A lista de 2026 não é apenas uma mudança de guarda; é um pedido de socorro. Hollywood sempre gostou de flertar com o cinema "indie" para limpar a consciência (e ganhar credibilidade artística), mas este ano a dinâmica mudou. O glamour plastificado colidiu frontalmente com uma realidade que os executivos tentaram ignorar: o público cansou da fórmula.

"Nós não estamos mais ditando a cultura. Estamos correndo atrás dela com a língua de fora." — Um membro votante da Academia (sob anonimato estrito, é claro).

Vejam a categoria de Melhor Filme. Há três anos, seria impensável que um longa-metragem rodado inteiramente em Lagos, com orçamento de guerrilha, roubasse a vaga daquele biopic musical de 200 milhões de dólares que a Disney empurrou goela abaixo no marketing. Mas aconteceu. E não foi por caridade. Foi porque os votantes — uma demografia que finalmente está rejuvenescendo à força — sabem que se premiarem o "mesmo de sempre" mais uma vez, a cerimônia corre o risco de virar um vídeo de YouTube com menos visualizações que um tutorial de maquiagem.

👀 Quem foi o grande sacrificado da noite?
O 'Blockbuster de Autor'. Sabe aquele filme de 3 horas, dirigido por um nome sagrado dos anos 90, feito para ganhar prêmios? Foi totalmente ignorado. Meus contatos dizem que as exibições privadas para votantes estavam vazias. Ninguém mais tem paciência para a autoindulgência de Hollywood quando o cinema sul-coreano e brasileiro está entregando tramas mais viscerais em 90 minutos.

O que ninguém vai dizer nos microfones do tapete vermelho é que a invasão das narrativas globais não é uma "celebração da diversidade". É uma invasão hostil (no melhor sentido da palavra). O sistema de estrelas, aquele que sustentou a indústria por um século, está ruindo. Você percebeu que a maioria dos indicados nas categorias de atuação não tem um contrato de franquia de super-herói? Isso não é coincidência.

Os agentes estão em pânico. O telefone toca e a pergunta não é mais "quanto pagam?", mas "o diretor tem visão?". Porque, sejamos francos, o prestígio mudou de endereço. A estatueta dourada ainda brilha, mas o pedestal onde ela ficava? Esse já virou pó.

DS
Dewi Sartika

Jurnalis yang berspesialisasi dalam Budaya. Bersemangat menganalisis tren terkini.