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O Caso Aline: Quando Matar o 'Riscado' foi a Jogada do Século

Não foi apenas uma transição capilar ou a retirada de próteses. Foi um IPO da alma. Entramos nos bastidores de um dos rebrandings mais agressivos e bem-sucedidos do show business brasileiro.

LS
Lola SimoninJournaliste
21 janvier 2026 à 02:012 min de lecture
O Caso Aline: Quando Matar o 'Riscado' foi a Jogada do Século

Vocês viram as fotos. O feed do Instagram explodiu, os portais de fofoca dissecaram cada centímetro de mudança e os fãs debateram nos comentários. Mas quem circula pelos bastidores do agenciamento de carreiras sabe: a obsessão pelo “Aline Riscado antes e depois” esconde uma operação muito mais sofisticada do que uma simples visita ao cirurgião.

Vamos falar a verdade? (Aquela que não aparece na legenda motivacional). O mercado de “gostosas” — perdoem a crudeza, é um termo técnico aqui — tem prazo de validade. A “Verão”, aquela personagem icônica da cervejaria, era uma máquina de imprimir dinheiro. Mas era uma máquina datada.

“Não se muda de nome e de corpo apenas por iluminação espiritual. Muda-se porque o mercado de Wellness paga o triplo do mercado de cerveja no longo prazo.”

Aline não apenas mudou o cabelo. Ela pivotou uma startup. Ao assumir o sobrenome Campos e iniciar o processo de transição capilar e explante (retirada de silicone), ela não estava apenas buscando “sua essência”. Ela estava fugindo de um nicho saturado para abraçar a estética da autenticidade, a moeda mais valiosa da década de 2020.

👀 O que realmente mudou no físico?

A lista é extensa e estratégica. O alisamento deu lugar aos cachos naturais (transição capilar), o silicone exagerado foi substituído por uma silhueta mais atlética e funcional, e as maquiagens pesadas de palco deram lugar ao visual 'clean girl'. É a desconstrução do artifício para vender a construção do 'natural'.

O público, sedento por narrativas de redenção, comprou o pacote completo. A busca incessante pelo “antes e depois” dela no Google revela nossa própria ansiedade. Queremos acreditar que também podemos nos reinventar. Que podemos deixar de ser a “Riscado” (aquela marcada pelos padrões externos) para sermos “Campos” (abertos, naturais, expansivos).

Mas não se enganem. A gestão dessa imagem é ferro e fogo. O desapego material que ela prega exige uma equipe de gestão de crise impecável. Trocar a imagem de símbolo sexual pela de musa da espiritualidade é uma manobra de alto risco. Se falhasse, ela perderia os contratos antigos sem ganhar os novos.

Funcionou? Os números dizem que sim. O engajamento mudou de perfil. Saíram os admiradores puramente visuais, entraram as marcas de luxo, retiros e produtos naturais. Aline Campos provou que, na era digital, o corpo é apenas um outdoor; o verdadeiro produto é a narrativa que você escreve sobre ele.

LS
Lola SimoninJournaliste

Les stars ont des secrets, j'ai des sources. Tout ce qui brille n'est pas d'or, mais ça fait de bons articles. Les coulisses de la gloire, sans filtre.