People

O "Glitch" Gabriela: Por que a Globo perdeu o controle da narrativa no BBB 26

Esqueça as fadas sensatas e os estrategistas de LinkedIn. O fenômeno Gabriela não estava no roteiro da direção (nem da IA que ajudou a selecionar o elenco).

LS
Lola SimoninJournaliste
19 janvier 2026 à 03:013 min de lecture
O "Glitch" Gabriela: Por que a Globo perdeu o controle da narrativa no BBB 26

Se você acha que a comoção em torno da Gabriela é apenas fanatismo de torcida organizada ou bot farm contratada, sinto informar: você não tem prestado atenção nas conversas de corredor na Curicica. Eu estava lá quando a primeira pesquisa de popularidade interna chegou à mesa da direção, na última terça-feira. O silêncio foi ensurdecedor.

A verdade nua e crua (que os releases de imprensa não vão admitir) é que Gabriela foi escalada para ser a vilã descompensada. O algoritmo de casting, agora calibrado para gerar atrito máximo, previu que sua personalidade explosiva e falta de filtro social a tornariam o alvo fácil da casa e o guilty pleasure do público por duas semanas. Erraram feio.

"A gente esperava uma vilã de novela mexicana. Recebemos um espelho quebrado da classe média exausta de 2026." – Fonte ligada à produção do reality.

O que aconteceu? O Brasil de 2026 não quer mais a perfeição performada. Estamos cansados daquele participante que entra com o media training em dia, que fala sobre "propósito" enquanto arruma a cama milimetricamente. Gabriela, com sua recusa em socializar de manhã e sua confissão bêbada sobre estar com o nome sujo no Serasa, tocou numa ferida aberta.

Ela não é aspiracional. (Quem quer ser aspiracional hoje em dia? Dá muito trabalho). Ela é representacional.

A revolta da mediocridade honesta

Observe a cena do café da manhã de ontem. Enquanto o grupo "Camarote" discutia harmonização facial e NFTs falidos, Gabriela contava as fatias de queijo. Aquilo não foi mesquinharia; foi trauma econômico televisionado. O público aqui fora, esmagado pela inflação persistente e pela precarização do trabalho, olhou para ela e não viu uma jogadora. Viu a si mesmo.

A direção do programa está em pânico tentando reajustar a edição. Eles tentaram pintar a apatia dela como arrogância na edição de domingo. O resultado? As redes sociais abraçaram a apatia como um manifesto político. Ser "do contra" virou a nova norma.

👀 O que as câmeras cortaram na festa de sábado?
Enquanto a edição oficial mostrou o brinde coletivo, o áudio de uma câmera secundária no Globoplay (que a produção tentou abafar, mas a internet salvou) revelou Gabriela admitindo para o espelho do banheiro que só entrou pelo cachê semanal, e que o prêmio final "nem paga a terapia que vou precisar depois". Isso muda tudo: ela tirou o peso sagrado do jogo.

Gabriela é o anti-herói que precisávamos para matar, finalmente, a era dos influenciadores de positividade tóxica. Ela valida o nosso direito de estar cansado, de não ter paciência para dinâmicas de grupo forçadas e de achar que "gratiluz" é uma ofensa pessoal.

Se ela vai ganhar? Talvez não. A máquina de votação ainda favorece quem tem dinheiro para mutirões. Mas a vitória dela já aconteceu: ela quebrou a quarta parede. Ela nos lembrou que, em 2026, sobreviver ao dia com sanidade mínima já é o verdadeiro prêmio milionário.

LS
Lola SimoninJournaliste

Les stars ont des secrets, j'ai des sources. Tout ce qui brille n'est pas d'or, mais ça fait de bons articles. Les coulisses de la gloire, sans filtre.