Economia

A miragem do gás barato: a matemática mágica que esvazia seu bolso

Prometeram que o botijão caberia no orçamento, mas esqueceram de avisar quem paga a diferença. Spoiler: é você, na bomba de gasolina ou na prateleira do supermercado.

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Felipe Costa
16 de janeiro de 2026 às 11:353 min de leitura
A miragem do gás barato: a matemática mágica que esvazia seu bolso

Toda vez que um político sobe ao palanque (ou abre uma live) para anunciar a "redução histórica" no preço do gás de cozinha, um economista sério tem um espasmo involuntário. A narrativa é sedutora, quase heroica: o governo, em sua infinita bondade, domou a ganância do mercado para proteger o almoço de domingo da família brasileira. Soa lindo. Pena que não resiste a cinco minutos de calculadora.

Não se engane. A ideia de um "preço justo" imposto por decreto ignora a regra mais básica da economia: alguém sempre paga a conta. Quando a Petrobras ou o Tesouro Nacional decidem absorver a variação do petróleo internacional para manter o botijão artificialmente barato, cria-se um buraco negro fiscal. E adivinhe quem é sugado por ele?

A política de subsídio ao combustível fóssil é como tomar analgésico para curar uma fratura exposta: alivia a dor momentânea, mas o osso continua quebrado e a infecção se espalha.

A distorção começa na cadeia de distribuição. O governo anuncia a queda na refinaria, mas o preço final na revenda do seu bairro mal se mexe. Por quê? Porque o mercado não opera por decreto. Custos de transporte, margens de lucro locais e impostos estaduais engolem a tal "bondade" antes que ela chegue ao seu fogão. O alívio anunciado no Jornal Nacional vira frustração na hora de passar o cartão.

Quem ganha x Quem perde

Vamos dissecar essa operação. A promessa de proteção social muitas vezes esconde uma transferência de renda perversa, onde o imposto pago por todos (inclusive os mais pobres no consumo de arroz e feijão) subsidia uma medida que, ironicamente, tenta ajudar os mais pobres.

A Narrativa OficialA Realidade Econômica
"Baixamos o preço na refinaria para ajudar o povo."A diferença vira prejuízo para a estatal ou dívida pública, gerando inflação futura.
"O gás vai chegar a R$ 60,00."O revendedor final mantém a margem para cobrir seus próprios custos crescentes. O preço cai centavos.
"Estamos protegendo os mais vulneráveis."Subsídios universais beneficiam também quem pode pagar, drenando recursos da saúde e educação.

O que poucos dizem (talvez por ser impopular demais) é que o foco deveria estar na renda, não no preço. Tentar controlar o preço de uma commodity global como o petróleo é brigar com a gravidade. Enquanto o salário mínimo for corroído por uma política fiscal irresponsável, o gás continuará parecendo caro, custe ele R$ 80 ou R$ 120.

A verdadeira ilusão não é o preço do botijão. É a crença de que o governo pode canetar a prosperidade sem gerar uma fatura de juros e inflação que chegará, pontualmente, no mês seguinte. O gás do povo, no fim das contas, é pago com o suor do próprio povo.

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Felipe Costa

Jornalista especializado em Economia. Apaixonado por analisar as tendências atuais.